†AnA† Baboseiras pra distrair... Lááá









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28/07/2003 11:37
Hahahhaahhaaha, putz, supimpa, parece eu! essas pessoas q viajam na maionese... hahahahaahaha

>
CRÔNICA DA LOUCURA
>Mario Prata
>
>O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem
>dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco:
>o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra.
>
>Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete
>outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
>
>Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um
>louco, contando as minhas loucuras acumuladas.
>
>Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
>O melhor da terapia é chegar antes, algumas minutos e ficar observando
>os meus colegas loucos na sala de espera.
>
>Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas.
>Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos,
>pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
>
>Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como
>escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão,
>quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou
>palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo,
>no mínimo, criativo.
>
>E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente
>absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho
>como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.
>
>Senão, vejamos:
>Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido,
>um senhor de uns cinqüenta anos e uma velha gorda.
>
>Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de
>cada um deles?
>
>Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram
>loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e
>ensimesmados.
>
>O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num pais racista como o
>nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona
>de vime.
>
>Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento,
>pensei. Ou será que não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia
>do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de
>ascensão social, com certeza.
>O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele.
>Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada
>esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino,
>ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.
>Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá.
>Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
>
>E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos?
>Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha
>um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso.
>Corno manso sempre tem tiques. Já notaram?
>Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver.
>Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem.
>
>Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele
>assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra.
>
>Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar
>num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho
>que não.
>
>Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
>Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda
>imensa.
>
>Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer
>amor há mais de tr inta anos. Será que se masturbaria? Será que era
>esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço
>da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu
>pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada.
>O que deve ser dos filhos dela?
>
>Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas
>de domingos.
>Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria
>uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
>
>Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
>Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ri muito,
>o meu psicanalista.:
>"- O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de
>um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui
>uma vez por mês com as novidades. E a gordinha é a Dona Dirce,
>a minha mãe. E você não vai ter alta tão cedo..."
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enviada por †AnA†






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